O primeiro voo estava taxiando ainda quando Carlos olhou o relógio. Quarenta minutos de atraso na decolagem. A conexão em Brasília era em cinquenta minutos. Impossível.
— A gente vai perder a conexão — ele disse.
— Quanto tempo temos? — Luísa perguntou.
— Cinquenta minutos. Mas com o taxiamento, desembarque, caminhada… no máximo vinte minutos de folga.
Ele apertou o botão de chamada. A comissária veio.
— Pois não?
— Meu próximo voo vai embarcar em cinquenta minutos. Tem como avisar a equipe de solo do próximo aeroporto que a gente está vindo? Para segurar o portão?
A comissária anotou.
— Número do próximo voo?
— 892.
— Vou comunicar o comandante. Ele pode pedir prioridade no pouso e avisar a torre sobre a conexão.
— Obrigado.
A comissária foi para a cabine. Minutos depois, o comandante falou nos autofalantes.
"Senhores passageiros, temos passageiros com conexão apertada em Brasília. Vamos solicitar prioridade no pouso. Equipe de solo já foi comunicada."
Carlos respirou fundo.
— Já fizeram o aviso — ele disse.
— E agora?
— Agora é esperar o pouso e correr.
O avião pousou com dez minutos ganhos na aproximação. Carlos e Luísa foram os primeiros a descer. Um funcionário de colete amarelo esperava na porta da ponte.
— Conexão 892?
— Isso.
— O portão é o 15, mas vou pedir para esperarem. Sigam comigo.
Ele os conduziu por um corredor lateral, mais rápido que o caminho principal. Chegaram no portão 15. A porta estava aberta. O agente conferiu os cartões.
— Entrem. Avisaram que vocês vinham.
Carlos passou pela porta. Sentou no primeiro assento vazio.
— Deu certo — ele disse, ainda respirando rápido.
— Porque você pediu pra avisar.
— É. Se eu não falasse, ninguém sabia que a gente estava vindo.
O avião fechou as portas. Um pedido que fez o avião esperar, a equipe se mobilizar, a conexão se salvar.
*Continua em: 730 — Luísa — Como ir ao consulado brasileiro?*