O e-mail chegou às seis da manhã. Carlos abriu no celular, ainda na cama. "Seu voo foi cancelado devido a condições meteorológicas."
— Cancelaram — ele disse.
— O quê? — Luísa virou no travesseiro.
— O voo das nove. Cancelado.
Ele sentou na cama. A tela do celular mostrava a mensagem da companhia. "Entre em contato para remarcação."
— Liga pra eles — Luísa disse. — Antes que todo mundo ligue.
Carlos abriu o contato da companhia aérea. Salvou no discador. Apertou o botão de chamada.
O primeiro toque. Depois o segundo. Uma gravação começou.
"Obrigado por ligar para a Central de Atendimento. Sua ligação é importante para nós. O tempo estimado de espera é de quinze minutos."
— Quinze minutos — ele murmurou.
— Espera — Luísa respondeu.
Ele colocou no viva-voz e apoiou o celular no criado-mudo. A música de espera tocava — um jazz genérico de elevador. Ele esperou.
Doze minutos depois, uma voz atendeu.
— Central de Atendimento, Roberta. Como posso ajudar?
— Meu voo das nove foi cancelado. Preciso remarcar.
— Número da reserva?
Carlos leu o código alfanumérico do e-mail.
— Seu voo, senhor Carlos, do Rio para São Paulo, foi cancelado. Tenho uma opção às treze horas, mesmo trajeto. Ou amanhã cedo, às seis e meia.
— Hoje às treze horas tá bom.
— Vou remarcar. A taxa de remarcação está isenta por cancelamento da companhia.
— Sem custo extra?
— Sem custo extra. Novo horário: 13h, mesmo número de voo, realocado para o 874.
— Confirmado.
— Confirmado. O senhor receberá o e-mail de confirmação nos próximos minutos.
— Obrigado, Roberta.
Ele desligou. O e-mail de confirmação chegou antes de ele colocar o celular no bolso.
— Resolveu — Luísa disse.
— Resolveu. Mais fácil do que eu imaginava.
— Porque você ligou na hora.
— É. Se eu esperasse, as opções iam diminuir.
Ele guardou o celular. A remarcação estava feita, o novo horário confirmado. Uma ligação no momento certo, e o dia continuava.
*Continua em: 726 — Luísa — Como pedir para ser colocado na lista de espera de um voo?*