O check-in do aeroporto tinha uma fila moderada. Luísa estava com a mochila nas costas e a passagem no celular. Ela olhou para o balcão, para o painel de assentos.
— A gente tá na fileira 27 — ela disse.
— É perto do fundo — Carlos respondeu.
— E com espaço para as pernas?
— Standard. Por quê?
— Minhas pernas vão bater no banco da frente. Na última viagem fiquei com o joelho doendo.
Ela se aproximou do balcão. A atendente sorriu.
— Bom dia. Check-in para o voo 862.
— Documento?
Luísa passou o passaporte. A atendente digitou.
— Assento 27A, corredor. Está bom?
— Na verdade — Luísa disse —, tem algum assento com mais espaço para as pernas disponível? Fileira de saída de emergência, ou a primeira fileira da classe econômica?
A atendente olhou a tela.
— Tem um assento na fileira 12, saída de emergência. Mais espaço, mas o encosto não reclina.
— Tudo bem. Pode colocar?
— Vou verificar a elegibilidade.
A atendente olhou a tela, fez algumas anotações.
— O senhor que está com ela também quer?
— Se tiver dois — Luísa respondeu.
— Só um disponível.
— Então só um. Eu fico.
A atendente mudou o assento.
— Pronto. 12C, corredor, saída de emergência.
— Obrigada.
Luísa guardou o celular. Carlos olhou para ela.
— Você pediu e conseguiu.
— Perguntei se tinha. Tinha. Se eu tivesse ficado quieta, ia passar seis horas com o joelho doendo.
— Justo.
Ela sorriu. Um pedido simples, um assento diferente. Às vezes o que separava o conforto do desconforto era só uma pergunta.
*Continua em: 725 — Carlos — Como remarcar um voo pelo telefone da companhia?*