O saguão do aeroporto estava cheio. Carlos parou no meio do fluxo de pessoas, o celular na mão, a tela acesa. Ele tinha acabado de passar pela imigração quando percebeu — o passaporte não estava mais no bolso.
— Perdi o passaporte — ele disse, a voz baixa.
— Como assim perdeu? — Luísa parou também.
— Estava aqui. No bolso da jaqueta. Depois que o oficial carimbou, eu guardei. Agora… sumiu.
Ele revirou os bolsos. Jaqueta, calça, mochila de mão. Nada.
— Tem que ligar pra Polícia Federal — Luísa disse. — Eles que cuidam disso no aeroporto.
— Pra onde eu ligo?
— É o 194. Ou pergunta no balcão deles ali.
Carlos olhou para o balcão da Polícia Federal, a vinte metros. Uma fileira de pessoas na frente. Ele respirou fundo e caminhou até lá.
— Perdi meu passaporte depois da imigração — ele disse ao agente atrás do balcão.
— Documento brasileiro?
— Sim.
— Tem boletim de ocorrência?
— Ainda não. Perdi agora.
O agente tirou um bloco de formulários.
— Faz a declaração aqui. Depois a gente registra.
Carlos pegou a caneta. A mão tremia um pouco. Ele escreveu nome completo, RG, CPF, número do passaporte perdido. Depois entregou o formulário.
— E agora? — ele perguntou.
— A gente emite um boletim de ocorrência online. O senhor pode acessar pelo site da Polícia Federal ou pelo telefone 194. Lá eles orientam o próximo passo.
— Preciso esperar?
— Não. Pode sair. Mas com esse B.O., o senhor consegue fazer um passaporte temporário no consulado se precisar viajar.
Carlos guardou o papel. O celular na mão ainda estava ligado. Ele abriu o discador e salvou o número: 194 — Polícia Federal.
— Salvou? — Luísa perguntou.
— Salvou.
— Pra próxima emergência, já sabe.
Ele guardou o celular. O número estava ali, salvo. Uma emergência que ele nunca tinha imaginado, mas que agora tinha um caminho.
*Continua em: 724 — Luísa — Como pedir assento com mais espaço para as pernas?*