Como agir em uma emergência em voo?

Luísa

O avião estava voando estável quando a luz do painel acendeu. A comissária cacheada passou pelo corredor com passos mais rápidos que o normal. O interfone crepitou.

— Comissários, posição de emergência.

Luísa sentiu o estômago apertar. Ela olhou para Carlos.

— O que foi?

— Não sei.

Ela respirou fundo. A comissária passou de novo, abrindo os compartimentos superiores, verificando alguma coisa.

— Senhoras e senhores passageiros — a voz do comandante veio calma. — Estamos com um pequeno problema técnico. Nada grave, mas vamos executar o procedimento de emergência como precaução. Por favor, sigam as instruções da tripulação.

Luísa olhou para Carlos.

— Procedimento de emergência.

— A gente segue o que eles mandarem.

A comissária cacheada parou na fileira deles.

— Senhores, vou precisar que guardem todos os objetos. Bolsa embaixo do banco da frente, celular desligado. Tirem os sapatos de salto, se tiverem. E coloquem o cinto bem apertado, baixo no quadril.

— Certo — Luísa disse.

Ela guardou a bolsa, desligou o celular, apertou o cinto. O coração batia mais rápido, mas ela manteve a respiração controlada.

— Quando eu passar de novo — a comissária continuou — vou mostrar a posição de segurança. Corpo curvado, cabeça baixa, mãos na nuca. Vocês já viram no cartão de segurança.

— Já.

Luísa se curvou, testou a posição. A cabeça entre os joelhos, as mãos entrelaçadas na nuca. Não era confortável, mas fazia sentido.

— É isso — ela disse para Carlos. — A posição que a gente viu no cartão.

— Eu lembro.

Eles ficaram curvados, esperando. Luísa contou mentalmente. Um minuto, dois, três. O avião continuou voando estável.

A comissária passou novamente.

— Podem voltar à posição normal. O problema foi resolvido em cabine. Não vamos precisar do procedimento.

Luísa endireitou o corpo. Soltou o ar preso.

— Passou.

— Passou.

— O negócio é ouvir — ela disse. — Fazer o que eles mandam, na hora, sem pensar.

— Funciona.

Ela ficou sentada, o coração voltando ao ritmo normal. O avião continuou voando. Ela olhou para a comissária que passava com um copo de água para um passageiro assustado.

Ela tinha seguido o procedimento. Tinha ficado calma. Tinha ouvido. E estava bem.

*Continua em breve: 723 — Carlos — Como ligar para a Polícia Federal em caso de emergência?*