O ar-condicionado estava gelado. Luísa cruzou os braços e esfregou as mãos nos ombros. A manta que veio com o assento era fina — um cobertor de microfibra que mal cobria as pernas.
— Tá frio — ela disse.
— O ar tá forte mesmo.
— Você não sente?
— Tô de jaqueta.
Ela puxou a manta até o pescoço. O braço esquerdo ficou descoberto. O frio continuava.
— Vou pedir outra manta.
— Pede.
Ela apertou o botão de chamada. O comissário grisalho veio.
— Pois não?
— O senhor tem uma manta extra? A minha é fina e tô com frio.
— Claro. Vou pegar.
Ele foi para a cozinha e voltou com uma manta igual, mas lacrada no plástico. Abriu, sacudiu e entregou.
— Aqui. Se precisar de mais, é só falar.
— Obrigada.
Ela abriu a manta nova sobre o corpo. Agora tinha duas. A primeira por baixo, a segunda por cima. O frio parou.
— Resolveu? — Carlos perguntou.
— Com duas, resolve.
Ela se acomodou na poltrona, as duas mantas envolvendo o corpo. O frio do ar-condicionado não passava mais. Duas camadas de microfibra e um pedido simples.
*Continua em: 721 — Carlos — Como pedir ao segurança do aeroporto sobre local de retirada de bagagem?*