O voo estava tranquilo. Nuvens brancas passavam pela janela, o mar azul aparecia entre elas. Luísa olhou para o monitor da poltrona da frente. Mostrava um mapa com a rota, mas não tinha altitude.
— Será que a gente tá a que altura? — ela perguntou.
— Dez mil metros, mais ou menos — Carlos respondeu.
— Será?
— Chute.
Ela sorriu. Apertou o botão de chamada. A comissária cacheada veio.
— Pois não?
— A senhora pode perguntar ao comandante qual é a altitude atual do voo?
— Pergunto.
Ela foi até a cabine. Voltou com a resposta.
— Trinta e sete mil pés. Que é cerca de onze mil e duzentos metros.
— Obrigada.
Ela virou para Carlos.
— Onze mil e duzentos metros.
— Chutei perto.
— Quase.
Ela olhou pela janela de novo. Saber a altitude mudava a percepção. Lá embaixo, as nuvens pareciam algodão. Onze quilômetros de distância do chão.
— É alto — ela disse.
— É.
— Parece seguro.
— Porque é.
Ela continuou olhando. Um número simples que deu perspectiva à paisagem.
*Continua em: 717 — Carlos — Como pedir ao piloto sobre a velocidade do voo?*