O avião começou a tremer. Não era forte — um balanço contínuo, como estrada de terra. Carlos segurou o braço da poltrona.
— Turbulência — Luísa disse, calma.
— Eu sei. Vai passar?
— Não sei.
Ele olhou para o teto, como se pudesse ver o tempo lá fora. O balanço mudava de ritmo — uma sacudida mais forte, depois uma pausa, depois outra.
— Vou perguntar pro piloto.
— Pelo telefone?
— Pelo comissário.
Ele chamou a comissária cacheada.
— A senhora pode perguntar ao comandante quanto tempo essa turbulência vai durar?
— Deixa eu ver.
Ela foi para a cabine. Voltou em dois minutos.
— O comandante disse que é uma área de instabilidade leve. Mais cinco, seis minutos e a gente sai. Não tem previsão de piora.
— Obrigado.
Ele respirou fundo.
— Cinco minutos.
— Saber ajuda? — Luísa perguntou.
— Ajuda. Sei que não é o voo inteiro.
Ele contou mentalmente. O balanço continuou. Aos quatro minutos, diminuiu. Aos cinco, o avião estabilizou.
— Passou.
— Passou.
Ele soltou o braço da poltrona. A informação tinha feito diferença — saber que era pouco, que ia acabar. Uma pergunta que cortou a ansiedade pela metade.
*Continua em: 716 — Luísa — Como pedir ao piloto sobre a altitude do voo?*