O voo estava na metade. Luísa olhava pela janela — só nuvens. Nada de especial. Mas ela sabia que em algum trecho a vista mudava. As montanhas, o litoral, a cidade grande.
— Carlos, a gente vai passar perto do Cristo?
— A rota vai pelo litoral, acho.
— Seria legal se o piloto avisasse.
— Eles costumam fazer isso?
— Não sei. Mas dá pra pedir.
Ela apertou o botão de chamada. A comissária cacheada veio.
— Pois não?
— A senhora pode perguntar ao comandante se ele pode avisar os passageiros quando a gente estiver passando por algum ponto turístico? O litoral, por exemplo.
— Claro. Vou falar com ele.
Ela foi até a cabine. Volto alguns minutos depois.
— O comandante disse que sim. Quando estiver próximo da costa, ele vai avisar.
— Obrigada.
Vinte minutos depois, o alto-falante crepitou.
— Boa tarde, passageiros. Dentro de alguns minutos estaremos sobrevoando a costa do Rio de Janeiro. Do lado direito do avião, será possível avistar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Quem estiver do lado esquerdo, pode dar uma olhada na baía de Guanabara. Aproveitem.
Luísa virou para a janela. Lá embaixo, o mar azul cortado pela orla, os prédios brancos, o Cristo de braços abertos no topo do morro.
— Lindo — ela disse.
— Pediu e conseguiu.
Ela ficou olhando até a paisagem sumir. Um aviso que transformou o voo em passeio turístico.
*Continua em: 715 — Carlos — Como pedir ao piloto informação sobre turbulência?*