O desembarque estava quase completo. Carlos desceu os últimos degraus da escada e parou na pista. O vento soprava, o barulho dos motores ainda zumbindo ao fundo. Ele virou e viu o piloto saindo da cabine, descendo pela escada.
— Luísa, espera — ele disse.
— O quê?
— Vou pedir uma coisa.
Ele andou até o piloto, que conversava com um membro da equipe de solo perto da asa.
— Comandante? Com licença.
O piloto virou.
— O senhor podia dar um autógrafo? Meu sobrinho é apaixonado por aviões. Ia ser o máximo.
O piloto sorriu.
— Claro. Tem caneta?
Carlos procurou nos bolsos. Achou uma caneta BIC azul. O piloto pegou, olhou em volta, procurou onde escrever.
— Não tenho papel — Carlos disse.
— Serve a mão?
— Serve.
O piloto escreveu no antebraço de Carlos: "Para o sobrinho do Carlos — Voe alto! Comandante Silva."
— Pronto.
— Obrigado, comandante.
— Ele vai gostar?
— Vai pirar.
Carlos voltou para Luísa, mostrando o antebraço.
— Autógrafo!
— No braço?
— Não tinha papel. Mas ele vai adorar.
Ela riu. Carlos fotografou o braço antes que o suor apagasse. Um autógrafo improvisado que ia virar presente.
*Continua em: 714 — Luísa — Como pedir ao piloto para dar um aviso sobre a vista?*