O avião estava vazio. A maioria dos passageiros tinha desembarcado. Luísa viu Carlos voltar da cabine com um sorriso no rosto.
— Valeu a pena? — ela perguntou.
— Muito. Você devia ver.
— Dá pra tirar uma foto?
— Pergunta.
Ela foi até a porta da cabine. O piloto ainda estava lá, preenchendo papéis na prancheta. Ela bateu.
— Com licença, comandante?
Ele levantou os olhos.
— Pois não.
— O senhor se importa se eu tirar uma foto aqui dentro? Pra registrar.
— Pode sim. Vou até desobstruir a visão.
Ele se levantou, afastou a cadeira do copiloto. Luísa entrou, olhou em volta. A luz dos painéis iluminava o ambiente. Tela azul, botões verdes, mostradores analógicos.
— Quer bater de onde? — o piloto perguntou.
— Do lado do banco do comandante, se puder.
— Claro.
Ele abriu espaço. Ela se sentou no banco do copiloto, só de brincadeira. Carlos apareceu na porta com o celular.
— Pode clicar?
— Pode.
Ele tirou uma foto. Depois outra. O piloto fez pose, de braços cruzados, sorrindo.
— Pronto.
— Obrigada, comandante.
— Imagina. Quer mais alguma?
— Só isso. Obrigada mesmo.
Ela saiu, olhou a foto no celular. O enquadramento tinha pegado o painel inteiro, os instrumentos, o para-brisas. Ela salvou.
— Ficou boa?
— Linda. Vou guardar.
Guardou o celular e desceu. A foto era mais que um registro — era um lembrete de que ela perguntou, entrou e viu o que poucos veem.
*Continua em: 713 — Carlos — Como pedir um autógrafo ao piloto?*