O avião tinha pousado. O comandante anunciou o desembarque. Os passageiros se levantavam, abriam os compartimentos, puxavam bagagens. Carlos ficou sentado.
— Vamos? — Luísa perguntou.
— Espera. Quero pedir uma coisa.
— O quê?
— Conhecer a cabine. Sempre tive curiosidade.
— Pode?
— Nunca perguntei.
Ele esperou a maioria descer. Quando o corredor ficou vazio, ele se levantou e foi até a frente. A porta da cabine estava entreaberta. Ele bateu de leve.
— Com licença?
O piloto apareceu. Um homem de cabelos grisalhos, cerca de cinquenta anos, a farda azul com quatro listras no ombro.
— Pois não?
Carlos hesitou um segundo.
— Eu queria saber se tem como conhecer a cabine. Sempre tive curiosidade de ver como é.
O piloto sorriu.
— Claro. Pode entrar.
Ele abriu a porta. Carlos entrou. A cabine era menor do que ele imaginava. Painéis escuros, centenas de botões, telas verdes e âmbar piscando. Dois assentos, fones pendurados. O cheiro de plástico e metal.
— É tudo isso aqui que faz o avião voar?
— Isso e mais um monte de coisa — o piloto respondeu.
— Quantos botões?
— Mais do que eu decoro. Mas a gente decora os importantes.
Carlos olhou em volta. As telas mostravam mapas, altitudes, velocidades. O para-brisas largo, a pista molhada lá fora.
— Obrigado. É mais legal do que eu imaginava.
— Volte sempre.
Ele saiu. Luísa esperava no corredor.
— E aí?
— Incrível. Menor do que eu pensava, mas cheio de tecnologia.
— Pediu e conseguiu.
— Pedi.
Ela sorriu. Eles pegaram as mochilas e desceram. A cabine ficou para trás, mas a imagem dela ficou na cabeça de Carlos.
*Continua em: 712 — Luísa — Como pedir ao piloto para tirar uma foto na cabine?*