O bebê da fileira de trás tinha acordado. O choro era diferente agora — ritmado, insistente. Choro de fome. Luísa ouviu a mãe remexer a bolsa, o som do leite sendo preparado.
— Ela vai fazer mamadeira — Luísa disse baixinho.
— Espero que o bebê pare — Carlos respondeu.
A mãe preparou a mamadeira. Água, pó, agitou. Depois ficou parada. Luísa virou de leve e viu a mãe encostando a mamadeira no pulso, testando a temperatura. A expressão dela era de dúvida.
— Tá gelada — Luísa murmurou.
— O bebê não vai tomar frio.
Luísa pensou. Depois virou para a mãe.
— A senhora quer que a comissária aqueça a mamadeira?
A mãe ergueu os olhos.
— Eles fazem isso?
— Vou perguntar.
Luísa apertou o botão de chamada. O comissário grisalho veio.
— A senhora pode aquecer a mamadeira do bebê?
— Claro. A gente tem água quente na cozinha. Pode deixar que esquento.
A mãe passou a mamadeira para ele. Ele sumiu na cozinha. Dois minutos depois, voltou com a mamadeira na mão.
— Testei na minha mão. Tá morna, não queima.
— Obrigada — a mãe disse.
Ela colocou o bico na boca do bebê. Ele começou a mamar, os olhos fechando enquanto sugava. O silêncio voltou.
— Funcionou — Luísa disse.
— O voo inteiro agradece.
O bebê mamou até o fim. Depois dormiu. A mãe apoiou a cabecinha dele no ombro e suspirou.
*Continua em: 711 — Carlos — Como pedir ao piloto para conhecer a cabine no final do voo?*