O bebê começou a chorar. Não era um choro de fome ou sono — era um choro agudo, irritado, que subia e descia sem parar. A mãe tentava acalmar, balançando, fazendo shhh, mas nada adiantava.
— Deve ser assadura — Luísa disse.
— Coitada.
Carlos olhou para o lado. A mãe estava com a bolsa de fraldas aberta no colo, revirando, procurando. Ela murmurou alguma coisa. O bebê chorava mais alto.
— Acho que ela não trouxe pomada.
— Quer pedir? — Luísa perguntou.
— Pode ser que tenha.
Ele apertou o botão de chamada. A comissária cacheada apareceu.
— Pois não?
— O bebê de trás tá com assadura, acho. A senhora tem pomada ou fralda extra?
— Pomada tenho sim. E fralda também, se precisar.
— Se puder trazer os dois, agradeço.
Ela foi buscar. Voltou com uma bisnaga pequena de pomada para assadura e duas fraldas descartáveis dentro de um saquinho.
— Aqui. Isso é do kit de primeiros socorros da cabine.
— Obrigado.
Carlos entregou para a mãe. Ela quase chorou de alívio.
— Deus abençoe — ela disse.
— O comissário que arrumou.
Ela levou o bebê para o lavatório, trocou a fralda, passou a pomada. O choro foi diminuindo, diminuindo. Quando voltou, o bebê estava calmo, os olhos fechando.
— Pomada — Carlos disse.
— Resolveu.
— Pequena coisa que salvou o voo inteiro.
*Continua em: 710 — Luísa — Como pedir ao comissário para aquecer a mamadeira do bebê?*