O menino da fileira de trás tinha terminado o suco. Agora ele estava entediado. Luísa ouvia os pés dele batendo no encosto do banco dela. Tump. Tump. Tump.
— Ele vai começar a chorar — Carlos disse.
— Já já.
A mãe tentava distrair com o celular. O menino não queria. Batia os pés, mexia no cinto, respirava fundo como quem prepara o choro.
Luísa virou para Carlos.
— Vou pedir um desenho para colorir.
— Eles têm isso?
— Muitas companhias têm kit infantil.
Ela apertou o botão de chamada. O comissário grisalho veio.
— Pois não?
— O senhor tem algum desenho para colorir para criança? O menino de trás tá inquieto.
— Temos o kit de atividades. Vou buscar.
Ele voltou com uma pastinha pequena. Dentro: um bloquinho com desenhos — um avião, uma nuvem, um cachorro — e três lápis de cor.
— Aqui. Esse é o nosso kit infantil.
— Obrigada.
Luísa virou e passou por cima do encosto. A mãe recebeu com um sorriso de gratidão.
— Gente, muito obrigada mesmo.
— O comissário que deu.
A mãe abriu a pastinha na mesinha do menino. Ele pegou o lápis azul e começou a pintar o avião. A batida no encosto parou.
— Silêncio — Luísa disse.
— Funcionou.
— Três lápis e um papel. Avião mais calmo.
Ela sorriu. O menino pintava, concentrado. A viagem seguia em paz.
*Continua em: 709 — Carlos — Como pedir uma fralda ou pomada para assadura ao comissário?*