O avião começou a balançar. Não era uma turbulência forte — eram ondas curtas, como se o avião estivesse passando por lombadas no ar. A cada solavanco, o estômago de Luísa dava um nó.
— Tá mexendo — ela disse.
— É leve — Carlos respondeu.
— Pra você. Meu estômago não curte.
Ela respirou fundo. O balanço continuou. O suor frio começou a aparecer na testa. Ela engoliu em seco.
— O saco — ela disse. — O de enjoo.
— Não tem no bolso da poltrona?
Ela procurou. Só tinha a revista de bordo, o cartão de segurança, o fone de ouvido. Nada de saco.
O estômago deu uma revirada mais forte. Ela apertou o botão de chamada com urgência.
A comissária cacheada veio rápido.
— Tudo bem?
— A senhora tem um saco de enjoo? O bolso não tem.
— Claro.
Ela puxou um saco do avental — branco, plastificado, com a dobra inferior vedada. Entregou na mão de Luísa.
— Aqui. Se precisar de outro, é só chamar.
— Obrigada.
Luísa abriu o saco, deixou preparado no colo. Respirou fundo de novo. O balanço continuou, mas ela sabia que o saco estava ali. Só de saber, o estômago acalmou um pouco.
— Uff — ela soltou.
— Passa — Carlos disse.
— Eu sei. Mas ter o saco perto já ajuda.
O avião saiu da turbulência. O balanço parou. O estômago dela foi voltando ao normal. Ela dobrou o saco e guardou no bolso da frente.
— Vai guardar? — Carlos perguntou.
— Vai que precisa de novo.
*Continua em: 707 — Carlos — Como pedir um copo com tampa para criança ao comissário?*