A refeição tinha acabado. Luísa deixou a bandeja na mesa, o garfo sobre o prato vazio. Ela passou a língua nos dentes. Sentiu alguma coisa — um fio de frango preso entre os dentes do fundo.
— Aff — ela murmurou.
— O quê? — Carlos perguntou.
— Ficou comida. No dente.
— Tem fio dental na nécessaire?
— Não trouxe.
Ela ficou passando a língua no dente, tentando soltar. O fio de frango não saía. Ela tentou com a unha, disfarçando. Nada.
— Vou pedir um palito.
— Comissário tem palito?
— Se não tiver, perdi nada.
Ela apertou o botão de chamada. O comissário de cabelo grisalho veio.
— Pois não?
— O senhor tem um palito de dente?
Ele sorriu.
— Tenho sim. Deixe só pegar.
Ele foi para a cozinha e voltou com um palito individual embalado em papel. Pequeno, branco, uma ponta fina e outra achatada.
— Aqui. A gente sempre tem uns guardados.
— Obrigada.
Ela abriu o papel. Passou o palito entre os dentes, de leve. O fio de frango saiu no primeiro movimento. Ela guardou o palito no guardanapo.
— Pronto.
— Resolveu? — Carlos perguntou.
— Três segundos. Um palito.
Ela sorriu, os dentes limpos. Um pedido tão pequeno que quase não fez. Mas resolveu o incômodo inteiro.
*Continua em: 705 — Carlos — Como pedir um enxaguante bucal ao comissário?*