O avião tinha decolado há quarenta minutos. As luzes da cabine estavam acesas, o zumbido constante dos motores preenchia o ar. Carlos abriu a bandeja do jantar.
— Frango ao molho — ele disse.
— O meu também — Luísa respondeu.
Ele pegou o garfo. O frango tinha molho, o arroz estava solto, os legumes no canto da bandeja. Ele provou. O molho era bom, mas o arroz pedia sal. Ele procurou na bandeja.
— Não veio saleiro.
— Nem ketchup.
Ele olhou em volta. As fileiras da frente tinham saleiros? Nada. Os passageiros do lado também estavam comendo sem tempero.
Ele apertou o botão de chamada.
A comissária de cabelo cacheado apareceu em segundos.
— Pois não?
— A senhora tem um saleiro ou um sachê de ketchup?
— Claro. Vou buscar.
Ela foi para a cozinha. Carlos esperou. O garfo ficou suspenso sobre o prato. Ela voltou com dois sachês: um de ketchup, um de sal.
— Aqui. Desculpe não terem colocado na bandeja.
— Sem problema. Obrigado.
Ele abriu o sachê de sal e polvilhou sobre o arroz. Depois passou o ketchup no canto da bandeja, pegou um pedaço de frango e molhou.
— Resolveu — ele disse.
— Pedido simples — Luísa respondeu.
— É que às vezes a gente acha que não pode pedir coisa pequena. Mas pode.
Ele comeu. O arroz salgado no ponto certo, o frango com ketchup. Tempero que veio porque ele perguntou.
*Continua em: 704 — Luísa — Como pedir um palito de dente ao comissário?*