Como pedir uma colher ou garfo extra ao comissário?

Luísa

O jantar tinha sido servido. A bandeja de Luísa estava aberta à sua frente: arroz, feijão, frango ao molho, legumes. Ela pegou o talher — um garfo de plástico embalado num saquinho.

Ela abriu. Era só garfo. Sem faca, sem colher.

— Só veio garfo — ela disse.

— O meu também — Carlos respondeu. — Mas eu não preciso de colher.

— Eu preciso. O arroz e o feijão são de colher.

Ela olhou para a refeição. O arroz soltinho, o feijão com caldo. Comer de garfo era possível, mas daria trabalho. Os grãos iam escapar.

Ela apertou o botão de chamada.

A comissária do coque apertado veio.

— Pois não?

— A senhora tem uma colher extra? A bandeja veio só com garfo e o arroz é de colher.

— Claro. Já trago.

Ela foi para a cozinha e voltou com um talher extra — uma colher de plástico, ainda embalada.

— Aqui. Desculpe pela falta.

— Sem problema. Obrigada.

Luísa abriu a colher e começou a comer. A colher entrava no arroz e no feijão do jeito correto, pegando a quantidade ideal.

— Resolveu — ela disse.

— Pedido simples — Carlos respondeu.

— É. Um talher que faltou, uma colher que resolveu.

Ela comeu com calma, a colher funcionando como devia. Pequeno item, grande diferença. Às vezes o que faltava era só um pedido educado.

*Continua em: 703 — Viagem e bagagem — saleiro e ketchup*