O avião estava na reta final. O comandante tinha anunciado que o pouso era em vinte minutos. Luísa virou para Carlos.
— A conexão no próximo aeroporto — ela disse. — A gente tem quanto tempo?
— Duas horas e meia, pelo que vi.
— Mas é no mesmo terminal? Precisa trocar de terminal?
— Não sei. Depende da companhia.
Ela apertou o botão de chamada. O comissário de cabelo grisalho apareceu.
— Pois não?
— A gente tem uma conexão no aeroporto de destino. O senhor sabe se a próxima decolagem é no mesmo terminal?
— Qual o número do próximo voo?
Luísa pegou o celular, abriu a reserva.
— Seiscentos e noventa e dois.
O comissário mexeu no tablet que carregava.
— É no mesmo terminal, sim. Portão dezoito. A caminhada é curta, uns cinco minutos. Vocês chegam no portão A, o dezoito é no mesmo corredor, virando à direita.
— E a imigração? Precisa passar de novo?
— Como é voo doméstico, só segue para o portão de conexão. Não precisa passar por imigração.
— Perfeito. Obrigada.
Ela guardou o celular.
— Cinco minutos de caminhada. Mesmo terminal. Nada de correria.
— Ótimo — Carlos disse.
— Eu ia ficar preocupada a conexão inteira sem saber. Agora já sei.
O avião tocou o chão. As rodas cantaram no asfalto. Luísa desligou o celular e guardou na bolsa. Informação certa na hora certa. Uma pergunta que economizou duas horas de ansiedade.
*Continua em: 701 — Carlos — Como pedir ao comissário a bandeja da refeição vegetariana?*