Luísa colocou o fone de ouvido no ouvido esquerdo. O som saiu baixo, abafado, como se viesse de longe. Ela apertou o fone contra a orelha, mas não adiantou. O filme na tela mostrava a boca do ator se mexendo, mas o áudio não acompanhava.
— Esse fone tá ruim — ela disse.
— Tenta o direito — Carlos sugeriu.
Ela trocou. O direito também estava baixo, com chiado de fundo.
— Os dois tão ruins. Parece que alguém usou antes e estragou.
Ela olhou para a embalagem. Os fones estavam dentro de um saco plástico transparente, mas não lacrados — provavelmente reembalados de outro voo.
Ela apertou o botão de chamada.
A comissária do coque apertado apareceu.
— Pois não?
— Esses fones de ouvido não tão funcionando. O som sai abafado. Tem um par novo?
— Claro. Já trago.
Ela voltou com um par lacrado, dentro de um pacote plástico selado.
— Original. Pode abrir.
Luísa abriu o pacote. O som do plástico sendo rasgado. Ela encaixou o fone no ouvido e ouviu o ruído de teste do sistema — claro, nítido.
— Agora sim. Obrigada.
— Disponha.
Ela colocou os dois fones e o som do filme preencheu os ouvidos. As falas claras, a trilha sonora equilibrada.
— Esses novos são muito melhores — ela disse.
— Deviam dar sempre lacrados — Carlos respondeu.
— Pois é.
Ela se recostou e apertou o play. O filme rodava, o som limpo, sem chiado. Ás vezes a diferença entre uma boa experiência e uma frustrante era um par de fones lacrado.
*Continua em: 697 — Carlos — Como pedir ao comissário para trocar o fone com defeito?*