Carlos estava com a tela de entretenimento à sua frente. A interface era diferente do último voo que ele pegou — os ícones maiores, o menu em outra ordem. Ele apertou o botão de filmes e a lista demorou a carregar.
Quando carregou, só mostraram as capas. Sem sinopse, sem nome do diretor, sem classificação.
— Essa tela é confusa — ele disse.
— É só navegar — Luísa respondeu.
— Não tem sinopse. Só capa.
Ele passou os dedos pela tela, abrindo cada filme para ver a descrição. Alguns tinham, outros não. Ele queria saber quantos filmes tinha no total, quais eram os lançamentos, o que valia a pena.
Ele apertou o botão de chamada.
A comissária de cabelo cacheado apareceu.
— Pois não?
— Tem a lista de filmes do entretenimento? A tela não mostra direito o catálogo.
— Tem. Vou buscar o folheto.
Ela voltou com um folder dobrado, papel couchê colorido. Virou para a página de entretenimento.
— Aqui. Todos os filmes disponíveis, separados por gênero. Lançamentos no topo.
— Perfeito. Obrigado.
Ele pegou o folheto. A lista era completa — comédia, drama, ação, documentário, nacional. Ele circulou três filmes com a caneta que achou no bolso.
— Olha, tem um nacional que não vi — ele disse.
— Qual?
Ele mostrou. Luísa leu a sinopse.
— Vamos ver esse.
Ele selecionou o filme na tela. A imagem começou a rodar.
— O folheto é melhor que a interface — ele disse.
— O papel ganha do digital.
Ele apoiou a cabeça no encosto. Filme escolhido, tela ligada, o voo passando mais rápido.
*Continua em: 696 — Luísa — Como pedir fones de ouvido extras ao comissário?*