O avião tinha acabado de embarcar. Os passageiros ainda se acomodavam, abrindo compartimentos, guardando bagagens. Carlos estava no corredor com a mochila numa mão e uma sacola na outra.
Ele olhou para cima. O compartimento estava aberto, mas na altura dos ombros dele. A mochila era pesada — carregador, livro, casaco, uma garrafa de água. Ele levantou o braço, tentou encaixar, mas o peso puxou para trás.
— Ela é pesada — ele disse.
— Levanta com as duas mãos — Luísa sugeriu.
Ele colocou a sacola no banco e tentou com as duas mãos. Conseguiu levantar a mochila até a altura do ombro, mas não o suficiente para empurrar para dentro do compartimento.
Um comissário passou no corredor, ajudando uma senhora na fileira da frente.
— Comissário? — Carlos chamou.
O rapaz se virou. Era alto, ombros largos, o uniforme azul bem ajustado.
— Pois não?
— O senhor pode me ajudar a colocar a mochila? Ela tá pesada e o compartimento é alto pra mim.
— Claro.
O comissário pegou a mochila com uma mão, como se fosse uma bolsa de pena, e colocou no compartimento com um movimento suave.
— Pronto. Mais alguma coisa?
— Não, obrigado.
— Disponha.
Ele seguiu para a próxima fileira. Carlos sentou no banco.
— Eu ia ficar tentando até me machucar — ele disse.
— Por isso que eles estão aqui — Luísa respondeu.
Ele apertou o cinto. Às vezes a ajuda certa estava a um pedido de distância. E não custava nada chamar.
*Continua em: 694 — Luísa — Como pedir ao comissário ajuda para tirar a bolsa do compartimento?*