Luísa estava com sono. O cansaço da viagem acumulava nos olhos, no pescoço, nos ombros. Ela apertou o botão de reclinação do encosto. Nada. Apertou de novo. O encosto não moveu.
— O encosto não abaixa — ela disse.
— O botão tá duro? — Carlos perguntou.
— Tá normal. Só não funciona.
Ela tentou mais uma vez, empurrando as costas contra o encosto enquanto apertava o botão. O mecanismo estalou, mas não reclinou.
Ela suspirou e apertou o botão de chamada.
A comissária do cabelo cacheado apareceu.
— Pois não?
— O encosto não reclina. O botão funciona, mas não move.
A comissária se inclinou, apertou o botão e empurrou o encosto ao mesmo tempo. Nada.
— O mecanismo travou. Vou tentar destravar manualmente.
Ela se abaixou, colocou a mão na base do banco, sentiu a alavanca escondida. Puxou. O encosto soltou com um estalo.
— Agora funciona. Testa.
Luísa apertou o botão. O encosto desceu suavemente, parando na posição que ela queria.
— Nossa, funcionou.
— A alavanca manual tinha desengatado. Qualquer coisa, é só chamar de novo.
— Obrigada.
A comissária seguiu. Luísa se acomodou na posição reclinada, a cabeça apoiada, os olhos pesados.
— Se eu tivesse ficado tentando forçar, não ia resolver — ela disse.
— É isso. Saber quando parar de tentar e pedir ajuda.
Ela fechou os olhos. O encosto macio, o barulho das turbinas ao fundo. O sono veio em segundos.
*Continua em: 693 — Carlos — Como pedir ao comissário ajuda para colocar a bolsa no compartimento?*