Como pedir ao comissário para abrir a cortina da janela?

Luísa

A luz do sol entrava pelo lado oposto do avião, mas a janela de Luísa estava com a cortina fechada. O voo já estava em cruzeiro fazia tempo e ela queria ver as nuvens, o céu, a paisagem lá embaixo.

Ela puxou a cortina. Não moveu. Puxou de novo, com mais força. A cortina estava presa num canto, o trilho amassado.

— A cortina não abre — ela disse.

— Tá presa? — Carlos perguntou.

— Parece que o trilho entortou.

Ela tentou mais uma vez, deslizando a cortina com cuidado, mas ela parou no meio do caminho e não avançou.

Ela apertou o botão de chamada.

Uma comissária veio. A mesma do cabelo cacheado do voo anterior.

— Pois não?

— A cortina da janela não abre. O trilho tá travado.

A comissária se inclinou e tentou abrir. A cortina deslizou alguns centímetros e prendeu.

— É, o trilho está amassado. Vou tentar destravar.

Ela forçou a cortina com cuidado, deslizando de um lado para o outro até soltar o ponto de pressão. A cortina abriu com um ruído seco.

— Pronto. Melhor não fechar de novo se não quiser correr o risco de prender.

— Obrigada.

A luz do sol entrou pela janela e bateu no colo de Luísa. Lá fora, as nuvens se estendiam brancas e fofas, um tapete infinito.

— Que vista — ela murmurou.

— Valeu a pena pedir — Carlos disse.

Ela apoiou o queixo na mão e ficou olhando. A luz quente no rosto, o azul do céu, o branco das nuvens. Às vezes o que separava ela da vista era uma cortina presa. E a pessoa certa para destravar.

*Continua em: 691 — Carlos — Como pedir ao comissário para fechar a cortina da janela?*