O ar-condicionado soprava um jato frio direto no ombro de Luísa. Ela tentou girar a saída de ar individual, mas o registro estava duro, travado. Ela forçou um pouco mais, mas não mexeu.
— Não fecha — ela disse.
— Força mais — Carlos sugeriu.
— Tô forçando. Não vai.
O vento frio continuava batendo, uma corrente constante que já começava a arrepiar o braço dela. Ela cruzou os braços e apertou o botão de chamada.
Uma comissária se aproximou. Morena, o cabelo curto, os olhos atentos.
— Pois não?
— A saída de ar aqui não fecha. A senhora consegue ajustar?
A comissária se inclinou, olhou o registro. Tentou girar com os dedos. Também não mexeu.
— É, tá travado. Vou ver se consigo descer a temperatura geral ou fechar a válvula da sua fileira.
Ela foi para a cozinha, mexeu em algum painel. Em menos de um minuto, o fluxo de ar no braço de Luísa diminuiu.
— Melhorou? — a comissária perguntou de longe.
— Melhorou, sim. Obrigada.
O vento frio ainda vinha, mas fraco, quase imperceptível. Luísa descruzou os braços.
— Funcionou — ela disse.
— Pedir é mais rápido do que forçar — Carlos respondeu.
Ela respirou fundo. O ar ainda estava climatizado, mas já não incomodava. Às vezes o problema não era ela — era o equipamento. E o equipamento, alguém tinha que mexer.
*Continua em: 689 — Carlos — Como pedir ao comissário para fechar o ventilador?*