O voo estava na metade. Carlos já tinha lido a revista de bordo inteira — as matérias sobre destinos turísticos, os anúncios de relógio, o mapa de rotas. Ele folheou de novo, procurando algo que tinha pulado. Não tinha.
— Acabei a revista — ele disse.
— É pequena — Luísa respondeu. — Sempre acaba rápido.
— E agora?
— Pede outra.
Ele achou que não ia ter, mas apertou o botão de chamada assim mesmo.
Um comissário apareceu. Jovem, barba por fazer, o colete azul aberto.
— Pois não?
— O senhor tem jornal ou revista? A revista de bordo já li toda.
— Temos. Que tipo o senhor prefere?
— Pode ser jornal. Ou revista de variedades.
O comissário foi até o fundo da cabine e voltou com três opções: um jornal do dia, uma revista semanal de notícias e uma de esportes.
— Pode escolher.
Carlos pegou o jornal. O papel tinha cheiro de tinta fresca.
— Esporte não? — Luísa perguntou.
— Depois pego.
Ele abriu o jornal. As páginas farfalharam. Notícias do dia, política, economia, caderno de cultura. Ele começou pelo caderno de esportes, como sempre.
— Tinha tudo isso aí? — ele perguntou apontando para o carrinho.
— Eles sempre têm. Só não deixam à vista.
— Então é só pedir.
Ele virou a página e mergulhou na leitura. O jornal ocupou o resto da viagem, página por página, até o avião começar a descer.
*Continua em: 688 — Luísa — Como pedir ao comissário para ajustar a temperatura do ar?*