Luísa tinha acabado de comer o sanduíche servido no voo. O pão deixou migalhas nos dedos. Ela passou a mão no guardanapo de papel, mas a gordura do recheio não saiu completamente.
— Tô com a mão grudenta — ela disse.
— Usa o guardanapo — Carlos sugeriu.
— Já usei. Não sai.
Ela olhou ao redor. O comissário estava no fundo da cabine, organizando as bandejas do serviço de refeições. Ela esperou ele se aproximar.
Ele veio recolhendo os restos das bandejas, parando fileira por fileira. Quando chegou perto, ela levantou a mão.
— Comissário?
— Pois não?
— O senhor tem lenço umedecido? A mão ficou grudenta depois da refeição.
Ele sorriu e puxou um envelope do bolso do colete.
— Aqui. Lenço umedecido individual. Pode ficar com ele.
— Obrigada.
Ela abriu o envelope e puxou o lenço. A textura macia e úmida deslizou entre os dedos, tirando a gordura e as migalhas. O cheiro era suave, de bebê, limpo.
Ela passou em cada dedo, entre um e outro, até sentir a pele livre. Depois passou no rosto, de leve, para refrescar.
— Um lenço só e você virou outra pessoa — Carlos brincou.
— A diferença que faz uma mão limpa.
Ela guardou o envelope vazio no bolsinho do banco. O lenço tinha resolvido o que o guardanapo não conseguiu. Pequenos detalhes que faziam a viagem mais confortável.
*Continua em: 687 — Carlos — Como pedir jornal ou revista ao comissário?*