Carlos tinha acabado de voltar do banheiro do avião. A maçaneta, a descarga, a torneira — ele tinha tocado em tudo com a mão que segurava o celular. Agora estava de volta ao banco, os dedos levemente úmidos, a sensação de superfície encostada ainda fresca.
— Esqueci de passar álcool — ele disse.
— Tá no bolso da mochila — Luísa respondeu.
Ele abriu o compartimento da frente. Revistou. Nada.
— Acabou.
— Pede pro comissário.
Carlos hesitou. Parecia um pedido pequeno demais. Mas a sensação de mão suja não passava.
Ele apertou o botão de chamada.
Uma comissária apareceu. Morena, o cabelo cacheado preso num rabo de cavalo alto.
— Pois não?
— Será que tem álcool em gel? O meu acabou.
— Tem. Vou buscar.
Ela voltou com um frasco pequeno de plástico transparente, cheio até a metade.
— Pode ficar com ele.
— Obrigado.
Ele espremeu uma quantidade generosa na palma e esfregou as mãos. O cheiro de álcool subiu, seguido pela sensação de frescor. Ele esfregou entre os dedos, nas unhas, nos pulsos.
— Pronto — ele disse.
— Lavou as mãos com álcool — Luísa comentou.
— Melhor do que ficar com a mão suja.
Ele guardou o frasco no bolso do encosto da frente. Pequeno, prático, sempre à mão. Não precisava carregar o próprio. Só precisava saber que eles tinham.
*Continua em: 686 — Luísa — Como pedir lenço umedecido ao comissário?*