O ar do avião estava pesado, seco, recirculado. Luísa passou a mão no rosto e sentiu a pele repuxando nos dedos. Ela olhou as costas da mão e viu as linhas finas marcadas, a textura mais áspera que o normal.
— Essa viagem tá acabando com minha pele — ela disse.
— Dramática — Carlos respondeu, folheando a revista de bordo.
— Sério. Olha.
Ela estendeu a mão para ele. Carlos encostou os dedos nas costas da mão dela.
— Tá meio seca mesmo.
— Muito seca.
Ela apertou o botão de chamada. Uns segundos depois, um comissário apareceu, colete azul, cabelo grisalho nas laterais.
— Pois não?
— O senhor tem creme hidratante? O ar do avião ressecou minha pele toda.
— Temos sim. Kit de amenidades. Vou buscar.
Ele voltou rápido com um envelope de papel kraft. Entregou a Luísa.
— Aqui. Tem creme hidratante, protetor labial, lenço umedecido e álcool em gel.
— Nossa, completo. Obrigada.
Ela abriu o envelope. O pote de creme era pequeno, branco, com a tampa de rosca. Ela desenroscou, passou uma quantidade generosa nas mãos e espalhou. O creme tinha cheiro suave, de camomila ou lavanda, e sumiu na pele em segundos.
— Que delícia — ela murmurou.
Ela passou o resto no braço, no cotovelo, onde a pele estava mais seca. O ressecamento sumiu, substituído por uma camada macia.
— Guarda o envelope — ela disse a Carlos. — Pode servir mais tarde.
Ele guardou na mochila. Luísa apoiou a cabeça no encosto e sentiu a pele do rosto mais leve. Um creme pequeno, um pedido simples, a pele voltando ao normal.
*Continua em: 685 — Carlos — Como pedir álcool em gel ao comissário?*