As luzes da cabine estavam apagadas. A maioria dos passageiros dormia. Mas Luísa estava de olhos abertos, encarando o teto.
— Não consegue dormir? — Carlos murmurou, com a voz de quem estava cochilando.
— A luz da cortina não fecha direito. Tá entrando claridade.
— Vira pro lado.
— Já tentei.
Ela suspirou. Respirou fundo. Então lembrou do kit de amenidades que tinha recebido. A máscara de dormir.
— A máscara que veio no kit — ela puxou a nécessaire que estava no bolso da poltrona. — Não usei.
Ela tirou a máscara de dormir do kit, um tecido preto acetinado com elástico fino. Colocou no rosto, ajustou no nariz. A luz sumiu.
— Escuridão — ela disse, a voz abafada pelo tecido.
— Boa noite — Carlos respondeu.
Luísa deitou a cabeça no encosto. A máscara apertava de leve, suficiente para não cair. Ela ficou imóvel, o avião vibrando, o som do motor constante. Os olhos fecharam.
Dormiu em cinco minutos.
*Continua em: 683 — Como pedir protetor labial ao comissário?*