Carlos tirou os sapatos e colocou os pés descalços no chão do avião. O piso era frio, duro. Ele encolheu os dedos.
— Pé gelado? — Luísa perguntou.
— Tá gelado. Esse piso é frio.
— Pede uma pantufa. A comissária da fileira de trás estava usando.
— Pantufa? Dão?
— Só perguntando.
Ele suspirou, apertou o botão de chamada. A comissária apareceu.
— Pois não.
— Desculpa incomodar. Tem pantufa? Meu pé tá congelando aqui.
— Tenho. É cortesia, pode ficar à vontade.
Ela sumiu e voltou com um par de pantufas brancas, de tecido grosso, com a sola antiderrapante.
— Essas são descartáveis, mas duram o voo inteiro.
— Perfeito.
Carlos calçou as pantufas. O tecido era macio, quentinho. Ele esticou os pés e sentiu o conforto.
— Parece chinelo de hotel — ele disse, mexendo os dedos dentro do tecido.
— Mas é de avião — Luísa respondeu.
Ele riu e cruzou os pés. O frio tinha passado.
*Continua em: 682 — Luísa — Como pedir máscara de dormir ao comissário?*