Luísa já tinha tomado o vinho tinto e estava com o copo vazio. Ela girou o plástico entre os dedos, pensativa.
— Carlos, você já pediu whisky em voo?
— Nunca.
— Será que serve?
— Só perguntando.
Ela apertou o botão de chamada. A comissária apareceu.
— Pois não.
— Tem algum destilado? Whisky, vodka, algo assim?
— Tenho whisky e vodka em dose individual. E conhaque também.
— Whisky, por favor.
— Com gelo?
— Pode ser. Com gelo e um pouco de água.
A comissária voltou com uma garrafinha de vidro marrom, um copo com gelo e uma garrafa de água mineral. Ela serviu o whisky, a cor âmbar escorrendo devagar sobre os cubos, e completou com um fio de água.
— Pronto.
— Obrigada.
Luísa pegou o copo. O gelo tilintou. Ela levou ao nariz — cheiro forte, amendoado, defumado. Bebeu um gole pequeno. O whisky desceu quente.
— Forte? — Carlos perguntou.
— Forte. Mas bom.
Ela bebeu mais um gole, sentindo o calor espalhar. O avião voava no escuro. Ela estava ali, com um whisky na mão, a dez mil metros de altura.
*Continua em: 679 — Carlos — Como pedir um segundo lanche ao comissário?*