O jantar tinha acabado, mas Carlos ainda estava com o copo vazio na bandeja. A mão dele descansou sobre o plástico.
— O tinto era bom — ele disse.
— É — Luísa respondeu, com os olhos meio fechados.
— Vou pedir o branco. Só pra experimentar.
Ele apertou o botão de chamada. A comissária veio, já com a bandeja de bebidas.
— Mais alguma coisa?
— Queria experimentar o vinho branco.
— Chardonnay. É nacional, mas é bom. Seco também.
— Pode ser.
Ela serviu num copo limpo, o líquido dourado claro, quase transparente. Carlos pegou o copo e levou ao nariz. Leve cheiro de fruta.
— Esse é mais leve que o tinto — a comissária explicou. — Melhor pra quem não quer encher a cabeça.
— É o que eu preciso.
Ele bebeu. O vinho branco era mais fresco, mais fácil de descer. Passava leve, sem pesar.
— Gostou? — Luísa perguntou.
— É mais suave.
— Fica com o branco, então.
Carlos bebeu mais um gole e colocou o copo de lado. Aos poucos, o cansaço chegou. O vinho, o barulho do motor, a poltrona semi-reclinada.
Ele fechou os olhos. Dessa vez, o sono veio.
*Continua em: 678 — Luísa — Como pedir um destilado ao comissário?*