O jantar tinha sido servido. Luísa comeu o macarrão com molho vermelho, deixou o pão de lado, e sentiu falta de algo para acompanhar. Ela olhou o cardápio no encosto da poltrona da frente. Na seção de bebidas alcoólicas, tinha vinho tinto e branco.
— Carlos — ela disse, cutucando o braço dele. — Vai querer vinho?
— Agora?
— Tô com vontade.
— Pede um tinto pra mim também.
Ela apertou o botão de chamada. A comissária apareceu.
— Pois não.
— Tem vinho tinto?
— Tenho. Tinto seco.
— Duas taças, por favor.
A comissária trouxe duas garrafinhas individuais e dois copos de plástico duro. A garrafinha era de vidro, com rótulo simples.
— É argentino — a comissária disse. — Malbec. Aceita?
— Aceito.
Ela abriu as duas, serviu nos copos e deixou as garrafinhas na bandeja.
— Saúde — Luísa disse, erguendo o copo.
— Saúde.
Eles brindaram no ar, no meio do voo, num brinde silencioso. Luísa bebeu. O vinho era encorpado, seco, um gosto de fruta no final. Nada sofisticado. Mas era quente, passava pela garganta como um abraço.
Ela tomou mais um gole e apoiou o copo. A viagem de repente parecia mais curta.
*Continua em: 677 — Carlos — Como pedir vinho branco ao comissário?*