O avião estava no meio do voo. A luz da cabine estava baixa, metade dos passageiros dormindo. Carlos não conseguia fechar os olhos. Ele virou para o lado, tentou achar uma posição melhor.
— Não consegue dormir? — Luísa perguntou, ainda acordada.
— Não. Muito barulho.
— Pede um suco. Relaxa.
Ele pensou. Fazia sentido. Apertou o botão de chamada. Esperou.
Uma comissária apareceu, andando na ponta dos pés pelas luzes apagadas.
— Pois não.
— Tem suco de laranja?
— Tenho. Com gelo?
— Pode ser.
Ela voltou rapidamente com um copo de plástico, o suco alaranjado, dois cubos de gelo boiando.
— Tem açúcar esse suco? — Carlos perguntou antes de beber.
— É néctar, tem açúcar sim.
— Tudo bem.
Ele pegou o copo e bebeu. O suco estava gelado, doce, o sabor de laranja enchendo a boca. Não era o melhor suco do mundo — era de caixinha, reconstituído — mas naquele momento, com o avião escuro e o motor roncando, tinha gosto de conforto.
Ele terminou o copo e apoiou a cabeça no encosto. Não dormiu. Mas ficou mais leve.
*Continua em: 676 — Luísa — Como pedir vinho tinto ao comissário?*