O carrinho de bebidas estava passando de novo. Luísa tinha acabado de acordar de um cochilo, a boca seca, a cabeça pesada. Ela piscou, ajustou o cinto, e viu a comissária se aproximando.
— Bebidas — a comissária disse, parando. — Água, suco, refrigerante, café, chá.
— Tem refrigerante diet? — Luísa perguntou, a voz ainda rouca.
— Cola diet, tem. Ou guaraná zero.
— Cola diet, por favor.
A comissária abriu o carrinho, tirou uma lata, girou e abriu com um estalo. Colocou no copo com gelo.
— Gelo?
— Pode ser.
Ela acrescentou gelo, o líquido escuro cobrindo os cubos, a espuma subindo.
— Obrigada.
Luísa pegou o copo. O primeiro gole foi gelado, doce na medida certa, sem aquele açúcar que pesa no estômago. Ela suspirou, apoiou o copo no apoio de braço.
— Diet? — Carlos perguntou, olhando de lado.
— Tô evitando açúcar essa semana.
— Desde quando?
— Desde ontem.
Ele riu baixo. Ela deu mais um gole. Não importava. Estava bom, gelado, e não tinha culpa.
*Continua em: 675 — Carlos — Como pedir suco de laranja ao comissário?*