Carlos tinha acabado de passar o café descafeinado e já estava com a caneca vazia na mão. O filme na telinha estava chato. Ele olhou para o lado — Luísa dormia, a cabeça inclinada contra a janela.
Ele apertou o botão de chamada. A luz acendeu no painel.
Uma comissária apareceu, de uniforme azul, cabelo preso.
— Pois não, senhor.
— Tem chocolate quente? — Carlos perguntou.
— Chocolate quente?
— É. Quente, mesmo.
— A gente tem leite quente e achocolatado em pó. Dá pra fazer.
— Pode fazer?
— Pode. Vou ver.
Ela sumiu na direção da cozinha. Carlos ficou esperando, o dedo batendo no apoio de braço. Uns cinco minutos depois, ela voltou com uma caneca de papel, vapor subindo.
— Fiz com leite e duas colheres de achocolatado. Fica mais encorpado.
— Obrigado.
Carlos pegou a caneca. O cheiro de chocolate subiu, doce, quente. Ele assoprou devagar e deu um gole. Estava cremoso, na temperatura certa.
Ele apoiou a cabeça no encosto e bebeu devagar. Chocolate quente. Em pleno voo. Pequenos prazeres que ele não esperava encontrar a dez mil metros de altura.
*Continua em: 674 — Luísa — Como pedir refrigerante diet ao comissário?*