O ar-condicionado do avião estava forte. Luísa sentiu um arrepio nos braços e puxou a manta fina que tinha pegado na entrada. O voo ainda tinha três horas pela frente.
— Tô com frio — ela disse para Carlos.
— Pede um café, esquenta.
— Café agora? Vou ficar acordada a viagem toda.
Ela apertou o botão de chamada. A luz acendeu no painel. Minutos depois, uma comissária apareceu.
— Pois não.
— Tem chá quente?
— Tenho. Hortelã, camomila ou chá preto.
— Hortelã, por favor.
— Com açúcar?
— Sem.
A comissária voltou depois de alguns minutos com uma caneca de papel e um saquinho de chá boiando dentro. Vapor subia em espiral.
— Cuidado que tá quente.
— Obrigada.
Luísa levou a caneca até o nariz. O cheiro de hortelã subiu, fresco, mentolado. Ela soprou de leve e bebeu um gole. A temperatura desceu quente pelo peito, espalhando calor.
— Bom — ela disse, segurando a caneca com as duas mãos.
— Hortelã?
— Hortelã.
Carlos sorriu de lado e voltou para o filme na telinha.
Luísa ficou ali, o chá quente entre as mãos frias, olhando as nuvens pela janela. Três horas de voo. Mas aquele chá, naquele momento, era tudo que ela precisava.
*Continua em: 673 — Carlos — Como pedir chocolate quente ao comissário?*