O carrinho de bebidas vinha descendo o corredor. Carlos ouviu o barulho das rodinhas, o tilintar dos copos, a voz da comissária repetindo as opções.
— Café, chá, água, refrigerante — ela anunciava.
Quando chegou na fileira dele, Carlos levantou a mão.
— Café, por favor.
— Café comum ou descafeinado?
Ele piscou. Não sabia que tinha opção.
— Descafeinado? Tem?
— Tenho. É o sachê azul.
— Então descafeinado.
A comissária abriu o compartimento do carrinho, tirou um sachê azul, colocou no copo e despejou água quente de uma garrafa térmica.
— Leite? Açúcar?
— Só o café preto mesmo.
— O senhor quis descafeinado por algum motivo? — ela perguntou, enquanto mexia.
— É que já tomei dois cafés hoje. Se tomar mais um, não durmo.
— Entendo. Muita gente pede.
Ela entregou o copo. O vapor subia, cheiro de café fresco. Mas sem cafeína.
— Obrigado.
— Imagina.
Carlos segurou o copo entre as mãos, sentindo o calor. O café descafeinado tinha o mesmo cheiro, a mesma cor, o mesmo ritual. Mas não ia roubar o sono dele.
Ele bebeu um gole. Quente, amargo, bom.
*Continua em: 672 — Luísa — Como pedir chá quente ao comissário?*