O avião já estava no ar. O cinto de segurança apagou com um bipe, e as pessoas começaram a se mexer. Luísa estava na janela, o ombro encostado na cortina fechada.
A garganta estava seca. Ela engoliu em seco e sentiu a aspereza. Não tinha tomado água desde o embarque.
— Será que já pode pedir? — ela murmurou.
Carlos estava do lado, folheando a revista de bordo.
— Acho que pode. A comissária tá passando ali.
Luísa levantou a cabeça. Uma comissária vinha pelo corredor com uma bandeja vazia na mão.
— Licença — Luísa disse, a mão meio levantada.
A comissária parou.
— Pois não.
— Tem como pegar um copo de água com gelo?
— Claro. Vou já trazer.
A comissária seguiu para a cozinha. Luísa esperou, ouvindo o motor do avião, o zumbido constante que preenchia o silêncio.
Dois minutos depois, a comissária voltou com um copo de plástico, água até a borda, três cubos de gelo boiando.
— Obrigada.
— De nada. Depois pode apertar o botão de chamada também.
Luísa pegou o copo. A água estava fria, o gelo tilintando contra o plástico. Ela bebeu um gole longo. A garganta se abriu.
— Gelada — ela disse, passando o copo para Carlos.
Ele bebeu um gole e devolveu.
— Boa.
Ela apoiou o copo no apoio de braço e olhou pela janela. Nuvens. Azul infinito. Água com gelo, às vezes, era o melhor do voo.
*Continua em: 671 — Carlos — Como pedir um café descafeinado ao comissário?*