A fileira 14 estava apertada. Carlos entrou no avião com a mochila nas costas e uma sacola de duty-free na mão. Ele olhou para o compartimento superior. Lotado. Malas, casacos, mochilas — tudo encaixado como um quebra-cabeça.
Ele tentou levantar a mochila. O ombro doeu. A mochila estava pesada — tinha colocado o notebook, os livros, a nécessaire.
— Deixa que eu ajudo.
Uma comissária de uniforme azul apareceu do lado dele. Ela era magra, tinha um coque preso e um sorriso profissional.
— A minha mochila não tá cabendo — Carlos disse.
— Deixa eu ver.
Ela subiu na ponta dos pés, mexeu nas malas, reorganizou duas mochilas de lugar. Criou um espaço no canto.
— Tenta agora.
Carlos levantou a mochila. Ainda pesava.
— A senhora pode ajudar a colocar? Tá meio pesada pra mim.
— Claro. Segura pela alça de baixo.
Ele segurou. Ela empurrou pela base. A mochila entrou no compartimento, e a comissária fechou a tampa com um clique seco.
— Pronto.
— Obrigado.
— Quando descer, pede ajuda de novo se precisar. A gente tá aqui pra isso.
— Pode deixar.
Carlos sentou na poltrona do meio e ajustou o cinto. A sacola do duty-free coube debaixo do banco da frente. Aliviado, ele apoiou a cabeça no encosto. A viagem estava começando.
*Continua em: 670 — Luísa — Como pedir um copo de água com gelo ao comissário?*