A lora do duty-free era uma floresta de garrafas brilhantes. Luísa entrou, os olhos percorrendo as prateleiras. Perfumes, bebidas, chocolates, tudo com preços em dólar.
Ela parou na seção de perfumes. Viu um que conhecia — aquele que usava no casamento de uma amiga. Mas tinha outro, numa embalagem prateada, que ela nunca tinha visto.
Uma atendente de colete preto estava organizando amostras no balcão.
— Licença — Luísa disse, se aproximando.
— Pois não.
— Esse perfume prateado — ela apontou. — Não conheço. É exclusivo de aeroporto?
— Esse é linha airport. Só vende em free shop. Não encontra em loja de shopping.
Luísa pegou o frasco. A tampa era magnética, o vidro pesado na mão.
— E esse outro, o azul?
— Também. Os dois são edição limitada do aeroporto.
— Tem tester?
A atendente pegou uma tira de papel, borrifou uma amostra e entregou. O cheiro era fresco, cítrico, com um fundo amadeirado.
— Gostei. Qual o preço?
— Noventa dólares.
— No Brasil sai quanto?
— O similar mais próximo é cento e cinquenta reais. Mas esse não tem similar. É exclusivo.
Luísa olhou para o preço. Noventa dólares. Uns quatrocentos e cinquenta reais na cotação. Caro, mas mais barato que qualquer perfume importado no Brasil.
— Vou levar.
A atendente pegou o frasco, passou no leitor.
— Passaporte, por favor.
Luísa entregou. A atendente registrou, colocou o perfume numa sacola transparente lacrada.
— Não abre antes do destino final.
— Pode deixar.
Luísa saiu com a sacola na mão. Um perfume que ninguém mais teria.
*Continua em: 669 — Carlos — Como pedir ao comissário para guardar a bagagem no compartimento superior?*