Luísa chegou no balcão com a mochila nas costas e a carteira aberta. Dentro, um maço de reais que ela tinha sacado no banco na semana passada.
— Boa tarde — ela disse, colocando a carteira no balcão. — Queria trocar esse dinheiro por um cartão internacional.
A atendente ergueu uma sobrancelha.
— A senhora quer carregar um cartão pré-pago?
— Isso. Meu marido trouxe dólar em espécie na última viagem, ficou com um monte de moeda sobrando. Dessa vez quero fazer diferente.
— Boa ideia. Qual bandeira?
— Qual é mais aceita?
— A Mastercard tem menos taxa de conversão. Mas a Visa é mais comum fora.
Luísa pensou um segundo.
— Mastercard, então.
A atendente virou o computador, digitou, pegou um formulário.
— Preciso do passaporte e do CPF.
Luísa esticou os documentos. Enquanto a atendente preenchia, ela olhou em volta — o saguão cheio de gente, carrinhos de bagagem, crianças correndo. O voo ainda tinha duas horas.
— A senhora quer carregar quanto?
— Dois mil reais.
— Vou fazer a conversão pela cotação do dia. Fica uns trezentos e sessenta dólares. A taxa de emissão é vinte reais.
— Pode ser.
A atendente passou o dinheiro na máquina de contar. As notas zumbiram, uma a uma. Depois entregou o cartão num envelope lacrado, o chip prateado brilhando.
— A senhora já pode usar. Só ativar pelo aplicativo.
— Obrigada.
Luísa guardou o cartão na bolsa, no bolso interno. A preocupação de carregar dinheiro vivo tinha ficado no balcão.
*Continua em: 665 — Carlos — Como pedir ao agente de câmbio um comprovante da transação?*