O aeroporto estava cheio. Carlos passou pelo raio-x, pegou a mochila e seguiu para o saguão. A placa amarela de câmbio brilhava no meio do corredor.
Ele parou na fila, a mochila no ombro, os documentos na mão. Na frente dele, um homem trocava dólares, contando as notas uma a uma. Carlos observou as bordas. Uma nota estava rasgada, outra com mancha de tinta.
— Próximo.
Carlos chegou no balcão. A atendente de coque apertado e blazer azul olhou para ele.
— Pois não.
— Queria trocar trezentos reais em dólar.
— Já vai viajar?
— Vou. Primeira vez.
Ela sorriu de leve e abriu a gaveta. As notas que ela tirou estavam dobradas, algumas com marcas de dobradura no meio.
— Licença — Carlos disse, a voz um pouco mais baixa. — Tem como dar notas mais novas? Sem rasura, sem dobra?
A atendente parou, os dedos sobre as notas.
— Precisa estar bonitinha?
— É que é presente para um sobrinho que pediu coleção. Ele é meio exigente.
— É mole — ela disse, e puxou outra gaveta.
Dali saíram notas lisas, novinhas, sem uma dobra sequer. A tinta verde brilhava contra a luz.
— Essas servem?
— Perfeitas.
Carlos passou os trezentos reais. Ela carimbou o papel, entregou o comprovante e as notas. Ele guardou tudo no envelope. As notas eram tão novas que pareciam falsas quando ele olhou contra a luz.
— Obrigado.
— Imagina. Gostou do sobrinho, hein.
Ele sorriu e guardou o envelope no bolso de dentro da jaqueta.
*Continua em: 664 — Luísa — Como pedir ao agente de câmbio para trocar dinheiro em espécie por cartão?*