O grupo estava no meio do museu. O guia explicava a coleção de arte sacra, os quadros do século dezoito, as peças de ourivesaria. Luísa ouvia, mas a bexiga começava a apertar. Ela tentou prestar atenção, mas a sensação só aumentava.
— Desculpa interromper — ela disse.
O guia parou.
— Tem banheiro aqui?
— Tem, sim. No final do corredor, à direita.
— Quanto tempo a gente vai ficar aqui ainda?
— Mais uns vinte minutos.
— Dá tempo de eu ir e voltar?
— Dá. Pode ir.
Ela entregou a bolsa para Carlos.
— Segura pra mim.
Caminhou até o banheiro. Era limpo, com papel higiênico, sabonete líquido, água corrente. Quando voltou, o guia ainda estava no mesmo quadro.
— Perdeu a explicação da ourivesaria — ele disse, sorrindo.
— Depois me conta.
— Basicamente: as peças eram feitas com ouro trazido de Minas Gerais no lombo de burro.
— Anotado.
Ela voltou ao lado de Carlos. A explicação continuou. Pedir para parar era simples — não precisava esperar o desconforto virar desespero.
*Continua em: 653 — Carlos — Como pedir ao guia turístico para tirar uma foto do grupo?*