Como reclamar ao guia turístico sobre o ritmo do passeio?

Carlos

O guia andava rápido. Os passos eram largos, o braço apontava as explicações sem diminuir a velocidade. Carlos estava com a respiração ofegante, a camisa úmida nas costas. Luísa também, mas ela não dizia nada.

O passeio tinha começado havia uma hora e quarenta. Já tinham passado pela catedral, pela praça, pelo museu da fotografia, e agora estavam subindo uma ladeira de paralelepípedo.

— Com licença — Carlos disse.

O guia parou e virou.

— Tudo bem?

— O senhor pode diminuir um pouco o ritmo? A gente tá meio cansado.

O guia olhou para eles. Olhou o suor no rosto de Carlos, a respiração de Luísa.

— Desculpa. Eu tô acostumado a andar rápido, acabo esquecendo.

— Sem problema. Mas se a gente for mais devagar, a gente aproveita melhor.

— Claro. A gente pode fazer uma pausa de cinco minutos ali na sombra.

O guia apontou para um banco de pedra debaixo de uma árvore. Carlos sentou. A sombra era fresca, uma brisa passava entre os galhos.

— O senhor faz esse passeio quantas vezes por dia? — Carlos perguntou.

— Umas três. A manhã, a tarde e o fim de tarde.

— Três vezes andando nesse ritmo?

— Pois é. Pra mim virou corrida.

— Pra gente é passeio.

— Tem razão. Vou desacelerar.

O guia bebeu água e esperou. Depois de cinco minutos, eles continuaram — mais devagar, prestando atenção nos detalhes. Uma reclamação educada resolvia sem estragar o dia.

*Continua em: 652 — Luísa — Como pedir ao guia turístico uma parada para banheiro?*