O mercado municipal tinha corredores intermináveis. Luísa parou numa barraca de bordados, passou a mão num pano de prato com flores vermelhas bordadas à mão.
— É bonito — ela disse.
— É — o guia respondeu. — Mas se a senhora quer comprar bordado de verdade, não compra aqui.
— Onde compra?
— Na feira do bairro Alto da Serra. Toda quinta de manhã. As bordadeiras da região vendem lá. O preço é o mesmo, mas a qualidade é melhor. E o dinheiro vai pra quem bordou.
— E cerâmica? A gente viu vasos na rua do artesanato.
— Os vasos da rua do artesanato são de uma fábrica grande. Se quiser peça única, vai no ateliê do Seu Moacir. Ele faz peças exclusivas, assinadas.
— Onde fica?
— Rua do Rosário, cento e vinte e três. É perto da praça.
— E lembrancinha pequena? Ímã de geladeira, chaveiro?
— Na banca da Dona Irene, perto da entrada do mercado. Ela vende os mais baratos e de melhor qualidade.
— Vale a pena comprar cesta de palha?
— Só se for pra usar. As de lá são bonitas, mas frágeis. As melhores são na cidade vizinha, mas aí já é outra viagem.
Luísa anotou tudo no celular. O guia sabia onde gastar o dinheiro — e onde não gastar.
*Continua em: 651 — Carlos — Como reclamar ao guia turístico sobre o ritmo do passeio?*