Como perguntar ao guia turístico sobre a história do local?

Luísa

O grupo saiu do museu da fotografia e voltou para a praça central. O guia apontou para uma estátua de bronze no centro do jardim.

— Essa estátua é de quem? — Luísa perguntou.

— Do fundador da cidade — o guia respondeu. — Dom Sebastião de Mendonça.

— Por que ele tem um livro na mão?

— Porque ele era também o primeiro tabelião da cidade. A justiça e a escrita estavam nas mãos dele.

Luísa se aproximou da estátua. A base tinha letras desgastadas pelo tempo.

— Dá pra ler o que tá escrito?

— Originalmente era o nome dele e a data de fundação: 1734. Mas o tempo apagou parte.

— E a catedral? Foi construída na mesma época?

— A catedral começou a ser construída em 1740, seis anos depois da fundação. Levou quarenta anos pra ficar pronta.

— Quarenta anos?

— Isso. Naquela época não tinha máquina. Era tudo no braço, com pedra extraída do morro ali atrás.

Luísa olhou para o morro. Era verde, coberto de árvores. Difícil imaginar que de lá saíram as pedras da igreja.

— E a mão de obra? — ela perguntou.

— Escravizada. A cidade foi construída por mãos negras. A catedral, as casas, o chão da praça.

— E hoje? A cidade reconhece isso?

O guia fez uma pausa.

— Tem um museu da memória negra no bairro do antigo quilombo. Fica pra outra visita.

— Quero conhecer.

— Anota o endereço.

O guia ditou o endereço e ela anotou no celular. A história estava nos detalhes que ninguém contava — era só perguntar.

*Continua em: 649 — Carlos — Como perguntar ao guia turístico sobre a cultura local?*