O grupo passava pela rua do artesanato quando Carlos parou. Ele tinha visto uma placa de madeira pendurada na parede de um casarão antigo: "Museu da Fotografia — Entrada Franca."
— Dá pra parar aqui? — ele perguntou.
O guia olhou a placa.
— O museu é pequeno. Mas é bom.
— Quanto tempo?
— Quinze minutos, vinte no máximo. Vale a visita.
— A gente encaixa?
— Se a gente cortar a parada no mercado, sim.
Carlos pensou.
— E o almoço?
— A gente come no final do passeio. O mercado funciona até as seis.
— Então corta o mercado. A gente almoça depois.
— Combinado.
O guia abriu a porta de madeira. Do lado de dentro, o casarão tinha um pátio interno com um pé de jabuticaba no centro. As paredes estavam cobertas de fotografias antigas da cidade: ruas de terra, bondes, pessoas em preto e branco.
Carlos entrou devagar. Uma foto mostrava a praça central em 1920 — a mesma praça onde eles tinham acabado de passar, mas sem asfalto, sem carros, com homens de chapéu e mulheres de vestido longo.
— Olha isso — ele chamou Luísa.
Ela se aproximou.
— Nossa, a mesma praça.
— Cem anos atrás.
O guia ficou perto da porta, sem apressar. Carlos leu a legenda de cada foto. Pedir para parar num lugar específico era sobre dizer o que importava.
*Continua em: 648 — Luísa — Como perguntar ao guia turístico sobre a história do local?*